Amnésia

Arrumou-se vagarosamente olhando o relógio, vendo os minutos eternos passarem como lindas paisagens vistas da pequena janela de um avião, daqueles que sempre viaja para ver os seus amigos queridos, em outras cidades que nao a sua. Em ponto, nao esperou a quem deveria, foi. Tinha medo e pressa, e também uma muda de roupa e uma mochila. O seu companheiro inseparável ja falara de todas as coisas as que sempre estava acostumado a ouvir, e cantar, e gozar. Viu rostos, e pes, e maos, e unhas, e dentes, gente. Esperou e logo estava em seu leito acolhedor. Trocou-se, pois a bata, surrada e esperou a hora, que nao demorou muito desta vez. No caminho, viu as luzes, o teto, as cores. Viu o Ceu! era um dia lindo pensou. No escuro, de canto, sussurou alguns dizeres, daqueles que quase nunca fala ou pensa. Na sala, tremia. O frio tomava-lhe o corpo e na veia, o liquido do sono corria. Apagou e acordou, e ja estava num outro canto, o mesmo do inicio. Nao lembrava de nada, so sentia a dor, o incomodo e a felicidade.

Poa-Gram-Cane

Foi-se, partiu. O destino: o desconhecido, o horizonte distante. Avante! Sentiu o sangue percorrer-lhe as veias o pulso forte e gozo tântrico. Andou e esperou impacientemente a hora. Passou subiu sentou olhou sorriu. Então quando menos espera, senta-se uma jovem, bonita, uns 32 anos, loira, olhos claros. Falou-se. Ela, era todo um sentimentalismo mórbido, falava de

um senhor, a quem a

ajudou em Caxias do Sul, quando morava só, sem ninguém. Calou-se, e não demorou a adorme

cer.

Ele olhava

a paisagem, a estrada. Cantava mentalmente, canções de cor que sempre ouvira. E não demorou muito para também adormecer. Acordou diversas vezes, em tantas cidades passou, mas

nao sabia onde estava, e gostava disso.


Chegou, e era uma manha gelada e feia. O ar era pesado e estranho, estava na capital Gau

cha, e sentiu medo. Era cinza, neblina. Correu, e se foi no primeiro onibus que pode, queria fugir o mais rápido

possível daquele melancolismo escrachado, e conseguiu. No caminho começou seus escritos, os mesmos que agora são isso. Agora era outra quem estava ao seu lado, e

ssa não era bonita e nem feia, mas simpati

císsima. Ofereceu-lhe lugar para dormir, caso algo desse errado no seu trajeto ate o destino final, mostrou-lhe as cidadezinhas antes e

durante a serra, explicou-lhe um pouco sobre cada, prestou-lhe algumas

informações s

obre as cidades as quais estava a caminho.

Agora, o dia era outro, muito mais bonito e multicolor. Tinha sol intenso, céu azul-claro, arvores v

erdes e felicidade. Lembrou-se daqueles desenhos de criança, o qual fizera

quando pequenino, foi feliz.

Gramado, pequena e bucol

ica, e não durou muito para que se desencantasse. Pe

gou uma bicicleta e foi-se pela cidade, sem rumo. Descobriu um lago e plantamos, de diversas cores. Viu a igrejinha, feita de pedra

. Viu gente, e nao gostou do que viu. Encontrou um

outro viajante, esse de Nova York morando e

m Salvador. Seu portugues era comico, mas falaram. E foram ate a rodoviaria, despediram-se e cada um foi para um lado oposto. Este, para Canela, mas ja nao com o mesmo animo, afinal Gramado tinha sido broxante para ele. Minutos pos adentrar outro onibus, avistou a cidadezinha. Essa muito mais idilica. Pena ter perdido o outro o

nibus ate o Caracol, mas conseguiu andar pela cidade com o pouco tempo que tinha.


Voltou para Porto, agora uma cidade muito mais interessante e colorida. Todo o seu melancolismo parecia ter escorrido pelo ralo. Ligou e foi atras da

menina, aquela a que acolheria na cidade. Encontram-se, riram e foram andar. Este viu predios antigos, bonitos e charmosos, e um parque, grande o qual lhe remetera a Buenos Aires,

sem saber o porque. Viu gente, muito mais agradavel agora, e cuias, e garras termicas.

Fizeram compras: peito de frango, tomate seco, vinho, e alguns condimentos. Chegando em casa, ele foi cozinhar, preparou com apreco um risoto de peito de frango e conversava. Comeu, tomou banho e dormiu, acordaria cedo, o mais cedo possivel.


Outro dia chegara, despediu-se da moca e foi. Andou pelas r

uas, e tudo fedia. E tinha cores estranhas. Por fim, ligo

u para um homem. C

ombinaram de se encontrar no Gas-de-alguma-coisa. Atrasados, encontraram-se. O homem com uma bicicleta e um sorriso.

Contornou-se parte do Guaiba, predios e predios, foram a casa do homem. E conversaram, e como conversaram. Gentil que so ele, ofereceu-lhe um prato de comida e boa prosa. Horas depois, andaram. Parques e ruas e predios e ruas e gente e carros e homens e mulheres e passaros e ruas e fotos. Cansados, tomaram um suco no Mercado Municipal e fora para a rodoviaria. Chegara a sua hora, d

espediu-se e agradeceu-lhe toda a hospitalidade. Subiu, e dormiu.




Caroline



Nelson

Vomitarei tudo

o amor
a dor
a solidao
as cervejas que tomei
os chocolates que comi,
a pizza que me deliciei.

Vomitarei
em cima da tua foto
mostrarei o dedo
te chamerei de 
filho da puta
escroto
viadinho

Chorarei
ao ver que te perdi
e que a rosa que era tua
ali em cima da mesa
nao e mais.
Talvez de um outro alguem
esse que ainda 
nao esta aqui

presente
so a saudade
o vazio
o vomito
azedo e fedido
desse puto
vadio

Conto - Parte II

O ar extremamente seco, cortava-lhe a garganta e as vias nazais. O cheiro do podre rio o qual corta a cidade o e situa-se ao lado da pequena trilha, não o incomodará, chegava as suas narinas como se fosse um perfume frances. Os dois a andar andar andar, e andar. Conversar conversar conversar, e conversar. Perceberam os olhares direcionados a eles, olhares de fome, de sede. Fome & sede não no sentido literal. Figurativo, de comer e beber, não no canibalismo-insano e sim comer-e-ser-comido e beber do liquido grosso como um-bebe-toma-o-leite-antes-de-dormir. Sentaram, e andaram. Seguiram, perceguiram, seguiram. Riam os putos, vadios, sim, isso o que eram, ou o que pretendiam ser. Um gordo olhos claros calvo mediano branco, estava atrás de uma arvore, masturbando-se loucamente, como um escravo de si mesmo e do movimento . O moço, cara de pau e puto que só ele, foi ate este. Olhou o por uns instantes. O gordo, estranhou, encabulou-se.

-Pode continuar, ele disse.

-o que?

-pode continuar, não precisa ter vergonha.

Olhares

-curte o que, cara?

-o que rolar, e tu?

-vem sempre aqui?

-Estava viajando, cheguei hoje. Sou medico, estava em são Paulo.

-sei

- posso ver?

-claro.

Abriu o zíper, o cinto, o botão. Abaixou a cueca branca e pos o seu membro latejante para fora.

-posso chupar?

-não.

Pos para dentro e fechou tudo.

Conto - Parte I

No horizonte, o Sol dava lugar a Lua esplêndida e astuta, subia glamorosa para reinar no seu Céu, de véu degrade púrpura-alaranjado dos fins de tarde de outono. E em casa - se é que pode-se chamar aquilo de casa - o moço estava a lavar suas cuecas, sujas, azedas, encardidas e velhas. Lava também meias, camisetas multicolor e calções, daqueles de dormir. Cantava canções de amor, de dor e solidão. Mas não era infeliz, apenas cantava, e foi assim por horas. Viu as mãos enrugaras e descamadas, culpou a água, coitada, gelada que só ela. Decidiu parar, e sentiu fome. Tirou a carne moída, do mês passado e deixou descongelar. Fez arroz com bacon e macarrão ao molho de mostarda com carne moída, comeu feito um porco, um desesperado. Farto, foi para a cama, deitou-se e ficou a pensar. Quis sair, ver gente, andar. Chamou seu companheiro quase fiel, um estrangeiro, que fala um português confuso, mas não menos engraçado. Vestiu um jeans, uma malha, um tênis e usou aquele seu perfume com um azedume-doce singular. Andou, e como andou. As ruas um tanto desertas de domingo à noite, não o agradará, pudera, era feriado. Foram a caminho da trilha, estreita, escura, cheia de penumbras e homens. Estes, cheiravam a perfumes, dos mais caros aos mais baratos, a cigarro, a alcool, a sexo.

E tudo o que eu procurava

encontra-se em um so corpo.
Um tanto robusto 
e inteligente.

Mas terei de deixa-lo
para trás,
assim como o encontrei.

Nao por nao ama-lo
ou deseja-lo,
mas por nojo
de mim mesmo.

Pois a minha alma,
ela esta podre,
assim como o meu corpo.

As estrelas
da minha varanda
todas elas, juntas
e a lua,
formam
meu céu
de solidão
todos os
sábados,
a noite,
quando ninguém
já não pode
escutar
meus
gritos mudos,
clamando
o amor
secreto.

Mais uma primavera
soma-se a minha identidade

E quem se importa?

Os sonhos,
eles ainda são os mesmos.

O Trajeto



Música: The Modern Things, Björk.
Versão[Remix]: Davi Sabbag
Gravação/Edição: Igor Santana

Um pedido
de atenção
Um pedido
de compreensão
Um pedido

palavras
réplicas
tréplicas
palavras

e um silêncio
infinito
e absoluto.